Decreto nº 7.592, de 28.10.2011
- DOU de 31.10.2011 -
Determina a avaliação da regularidade da execução dos convênios, contratos de
repasse e termos de parceria celebrados com entidades privadas sem fins
lucrativos até a publicação do Decreto nº 7.568, de 16 de setembro de 2011, e dá
outras providências.
A Presidenta da República, no uso das atribuições que lhe confere o art. 84,
inciso VI, alínea "a", da Constituição,
Decreta:
Art. 1º Os órgãos e entidades da administração pública federal deverão avaliar a
regularidade da execução dos convênios, contratos de repasse e termos de
parceria celebrados até a data de publicação do Decreto nº 7.568, de 16 de
setembro de 2011, com entidades privadas sem fins lucrativos.
§ 1º A avaliação de regularidade da execução deverá ser realizada no prazo de
até trinta dias, contado a partir da data de publicação deste Decreto, período
no qual ficam suspensas as transferências de recursos a entidades privadas sem
fins lucrativos por meio dos instrumentos referidos no caput.
§ 2º A suspensão prevista no § 1º não se aplica às seguintes situações:
I - para a realização de programas de proteção a pessoas ameaçadas ou em
situação que possa comprometer sua segurança;
II - nos casos em que o projeto, atividade ou serviço objeto do convênio,
contrato de repasse ou termo de parceria já seja realizado adequadamente
mediante colaboração com a mesma entidade há pelo menos cinco anos e cujas
respectivas prestações de contas tenham sido devidamente aprovadas; e
III - às transferências do Ministério da Saúde destinadas a serviços de saúde
integrantes do Sistema Único de Saúde - SUS.
§ 3º Nas hipóteses elencadas no § 2º, a transferência deverá ser justificada por
prévio parecer técnico que ateste o enquadramento da situação em um dos incisos,
devidamente aprovado pelo Ministro de Estado ou pelo dirigente máximo da
entidade da administração pública federal.
Art. 2º Verificada a regularidade da execução do convênio, contrato de repasse
ou termo de parceria, o Ministro de Estado ou o dirigente máximo da entidade da
administração pública federal poderá autorizar a retomada das respectivas
transferências de recursos.
Parágrafo único. A decisão de que trata o caput deverá ser devidamente
fundamentada e precedida por parecer técnico que ateste a regularidade da
execução do convênio, contrato de repasse ou termo de parceria avaliado.
Art. 3º Findo o prazo de que trata o § 1º do art. 1º, as entidades privadas sem
fins lucrativos que tenham celebrado convênios, contratos de repasse ou termos
de parceria cuja execução não tenha sido avaliada como regular deverão ser
imediatamente comunicadas desta situação, permanecendo suspensas por até
sessenta dias as transferências de recursos a tais entidades.
§ 1º As entidades privadas sem fins lucrativos de que trata o caput deverão
adotar, no prazo ali previsto, as medidas necessárias ao saneamento das
irregularidades constatadas ou ao ressarcimento do valor de eventual dano
apurado pela administração.
§ 2º Caso não haja a regularização dos convênios, contratos de repasse ou termos
de parceria no prazo previsto no caput, o Ministro de Estado ou o dirigente
máximo da entidade da administração pública federal deverá:
I - instaurar, de imediato, tomada de contas especial;
II - registrar a irregularidade do instrumento no Sistema de Gestão de Convênios
e Contratos de Repasse - SICONV; e
III - informar à Controladoria-Geral da União os dados das entidades privadas
sem fins lucrativos e dos convênios, contratos de repasse ou termos de parceria
que ensejaram a instauração de tomada de contas especial.
Art. 4º Cabe ao Ministro de Estado, ao dirigente máximo da entidade da
administração pública federal ou ao Ministro de Estado Chefe da
Controladoria-Geral da União, declarar como impedidas para celebração de novos
convênios, contratos de repasse ou termos de parceria com a administração
pública federal as entidades privadas sem fins lucrativos identificadas na forma
do inciso III, § 2º do art. 3º.
§ 1º Estende-se o impedimento previsto no caput às entidades privadas sem fins
lucrativos que tenham em seu corpo diretivo, dirigente ou ex-dirigente de
entidade declarada impedida de celebrar convênios, contratos de repasse ou
termos de parceria com a administração pública federal, tendo este sido
responsável, direta ou indiretamente, pela situação que ensejou tomada de contas
especial.
§ 2º A Controladoria Geral da União manterá cadastro, exibido no Portal da
Transparência do Poder Executivo Federal, com a relação das entidades privadas
sem fins lucrativos impedidas de celebrar convênios, contratos de repasse ou
termos de parceria com a administração pública federal.
Art. 5º Em qualquer das hipóteses previstas neste Decreto, está vedada a
transferência de recursos a entidades privadas sem fins lucrativos que tenham,
em suas relações anteriores com a União, incorrido em pelo menos uma das
seguintes condutas:
I - omissão no dever de prestar contas;
II - descumprimento injustificado do objeto de convênios, contratos de repasse
ou termos de parceria;
III - desvio de finalidade na aplicação dos recursos transferidos;
IV - ocorrência de dano ao Erário; ou
V - prática de outros atos ilícitos na execução de convênios, contratos de
repasse ou termos de parceria.
Art. 6º Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.
Brasília, 28 de outubro de 2011; 190º da Independência e 123º da República.
DILMA ROUSSEFF
Gleisi Hoffmann
Jorge Hage Sobrinho